Aqueles foram os dias

29/08/2011 at 16:02 (Paráfrases, Regravação) (, , , , , , , )

Esse vídeo abaixo é um trecho da música Those Were the Days, interpretada por Mary Hopkin, sucesso em todas as paradas, tanto nos USA quanto nos UK. Essa canção foi lançada em 30 de agosto de 1968 e foi produzida pelo beatle Paul McCartney para o recém criado selo Apple.

A letra é bem nostálgica e fala sobre a juventude e as mudanças (ou não) que as pessoas sofrem ao envelhecer.

Those Were the Days (Gene Raskin)

Once upon a time there was a tavern
Where we used to raise a glass or two.
Remember how we laughed away the hours
And dreamed of all the great things we would do.

Those were the days my friend
We’d thought they’d never end
We’d sing and dance for-ever and a day
We’d live the life we choose
We’d fight and never lose
For we were young and sure to have our way.
Lalala lah lala, lalala lah lala

Then the busy years when rushing by us
We lost our starry notions on the way
If by chance I’d see you in the tavern
We’d smile at one another and we’d say:

Just tonight I stood before the tavern
Nothing seemed the way it used to be
In the glass I saw a strange reflection
Was that lonely person really me.

Through the door there came familiar laughter
I saw your face and heard you call my name
Oh, my friend, we’re older but no wiser
For in our hearts the dreams are still the same.

O refrão da música não lembrou nada? Nenhum domingo à noite? Ouça de novo:

Pois é, mas ao contrário do que todos vão pensar, não foi Mary Hopkin que roubou a música de Sílvio Santos. Essa letra foi escrita por Gene Raskin baseada na melodia de uma antiga canção cigana da Rússia chamada “Дорогой длинною”, ou “Pela Longa Estrada”. Abaixo, você pode ver uma versão desta música cantada por Alexander Menshikov e Rogéria.

“Na natureza nada se cria, tudo se copia.”

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Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones

20/07/2010 at 18:21 (Paráfrases) (, )

No disco O Papa é Pop de 1990, a banda Engenheiros do Havaí regravou uma música de Os Incríveis, que era uma versão do artista italiano Gianni Morandi, chamada C’era un Ragazzo che Come Me Amava i Beatles e i Rolling Stones.

O Papa é Pop

Capa do disco O Papa é Pop

A canção fala de um jovem estadunidense que, como muitos outros de meados dos anos 60, fora convocado pelo exército para lutar na Guerra do Vietnã, deixando para trás sua juventude, onde as maiores responsabilidades eram tocar música de suas bandas preferidas e namorar. A primeira referência é dada no título da música, mas também na segunda estrofe, onde são citadas quatro canções: três dos Beatles e uma dos Rolling Stones.

As próximas referências só aparecem na versão gravada pelos Engenheiros do Havaí. Nesse primeiro vídeo vê-se (ou ouve-se) duas melodias incidentais dos Rolling Stones e dos Beatles, tocadas quando os nomes das bandas são falados no refrão.

O solo da música é parafraseado do Hino da Independência que foi uma música já gravada, vejam por quem, pelos Incríveis, em um compacto de 1971.

Alguma semelhança com O Papa é Pop?

Letras

C’era un Ragazzo che Come Me Amava i Beatles e i Rolling Stones

Migliacci / Lusini

C’era un ragazzo che come me
Amava i beatles e i rolling stones
Girava il mondo veniva da
Gli stati uniti d’america
Non era bello ma accanto a se
Aveva mille donne se
Cantava help, ticket to ride
O lady jane o yesterday
Cantava “viva la libertà”
Ma ricevette una lettera
La sua chitarra mi regalò
Fu richiamato in america
Stop! coi rolling stones
Stop! coi beatles stop
Gli han detto vai nel viet-nam
E spara ai viet-cong

Rattatatata….rattatatata….rattatatata….
Rattatatata….rattatatata….

C’era un ragazzo che come me
Amava i beatles e i rolling stones
Girava il mondo ma poi finì
A far la guerra nel viet-nam

Capelli lunghi non porta più
Non suona la chitarra ma
Uno strumento che sempre dà
La stessa nota rattattata

Non ha più amici
Non ha più fans
Vede la gente cadere giù
Nel suo paese
Non tornerà
Adesso è morto nel viet-nam

Stop coi rolling stones, stop coi beatles stop
Nel petto un cuore più non ha
Ma due medaglie o tre

Rattatatata….rattatatatarattatatata….
Rattatatata….rattatatata

Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones
Engenheiros do Hawaii

Era um garoto
Que como eu
Amava os Beatles
E os Rolling Stones..

Girava o mundo
Sempre a cantar
As coisas lindas
Da América…

Não era belo
Mas mesmo assim
Havia mil garotas à fim
Cantava Help
And Ticket To Ride,
Oh! Lady Jane and Yesterday…

Cantava viva, à liberdade
Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra, o separou
Fora chamado na América…

Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongs…

Ratá-tá tá tá…

Era um garoto
Que como eu!
Amava os Beatles
E os Rolling Stones
Girava o mundo
Mas acabou!
Fazendo a guerra
No Vietnã…

Cabelos longos
Não usa mais
Nem toca a sua
Guitarra e sim
Um instrumento
Que sempre dá
A mesma nota
Ra-tá-tá-tá…

Não tem amigos
Nem vê garotas
Só gente morta
Caindo ao chão
Ao seu país
Não voltará
Pois está morto
No Vietnã…

Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
No peito um coração não há
Mas duas medalhas sim….

Ratá-tá tá tá…

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Toca solo clássico

14/06/2010 at 14:36 (Geral) (, , , )

A música Classical Gas, do compositor estadunidense Mason Williams foi originalmente lançada em 1968 no disco The Mason Williams Phonograph Record. Essa canção fez tanto sucesso que diversos telejornais nos Estados Unidos a utilizavam como música de abertura. Ela também já foi tocada pelo artista australiano Tommy Emannuel e por Lisa Simspon:

Se o vídeo não tocar, veja-o aqui.

A princípio, Lisa toca uma música ressaltando o heroísmo de seu pai, Homer Simpson, como sindicalista, contra Montgomery Burns, em defesa dos direitos dos  empregados da usina nuclear. No final, Lenny pede para lisa tocar Classical Gas.

Lisa’s Protest Song – Lisa Simpson

Come gather ’round children
its high time ye learns
about a hero named Homer
And the devil named burns

We’ll march till we drop
The girls and the fellas
We’ll march till we drop
Or fold like umbrellas

So we will march day and night by the big cooling tower
They got the plant but we got the power.

Na versão dublada em português do Brasil Lenny fala: “Agora toca um solo clássico”. Esse episódio é bastante carregado de referências à cultura pop (Batman de Tim Burton, O Poderoso Chefão, Jimmy Hoffa, o próprio Classical Gas) e os tradutores insistem em querer chamar o telespectador de burro.

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Meu Querido, Meu Velho Fanatismo

28/05/2010 at 17:54 (Paráfrases) (, , , , )

No ano de 1979, o rei Roberto Carlos lançou em um de seus 500 LPs chamados Roberto Carlos a música Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo composta por ele e por seu amigo de fé irmão camarada Erasmo Carlos. Esta canção é a homenagem de um filho para um pai e sua letra é assim:

Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo – Roberto Carlos/Erasmo Carlos

Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo…
E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,
Já correram tanto na vida,
Meu querido, meu velho, meu amigo

Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo,
Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas ao vento…
Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo

Seu passado vive presente nas experiências
Contidas nesse coração, consciente da beleza das coisas da vida.
Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto…

Olhando seus cabelos, tão bonitos,
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Em 1981, Raimundo Fagner gravou no disco Traduzir-se a música Fanatismo em cima da poesia homônima de Florbela Espanca (que nome escroto para uma poetiza).

Fanatismo – Fagner/Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

A letra da música escrita acima é na verdade a transcrição pura e simples do poema. Na música de Fagner ele acrescentou um trecho ao final que retoma à primeira canção.

O que se observa é que Raimundo Fagner homenageia Roberto Carlos com um trecho de uma canção sua parafraseando o rei. Isso acontece muito no mundo da música e eu acho que já falei isso em outro post, só que faz tanto tempo que eu não atualizo esse blogue que esqueci se já falei isso ou não.

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Skank: plágio ou referências?

10/08/2009 at 20:35 (Coincidências, Paráfrases) (, , , , , , , )

Segundo o Aurélio on-line:

plágio s.m. cópia, mais ou menos disfarçada, de obra alheia.

No mundo da música, existem diversos casos de artistas famosos acusados de “roubar” canções dos outros, sejam eles também famosos ou não. É comum acontecer de questões serem levadas à justiça por artistas desconhecidos que  querem chamar atenção da mídia para os seus nomes. Mesmo que eles percam a causa (o que é muito frequente) eles já ganharam alguma popularidade.

Um caso mais raro é o de um artista famoso plagiar uma música famosa de outro artista também famoso. Mas acontece, tomemos esse caso como exemplo.

Em 1999, a banda britânica Blur (você deve conhecer uma música muito famosa deles, Song 2, mais conhecida como “woo hoo” ) lançou o single da canção Coffee and TV, que tem um clipe também muito conhecido,  que é um de uma caixinha de leite que sai andando pela cidade em busca de um rapaz desaparecido.

Em 2000, a banda brasileira Skank, grava o seu álbum Maquinarama, com a música Três Lados, uma baladinha romântica. Assista ao vídeo abaixo e veja se percebe alguma semelhança.

Além do trecho destacado, existem elementos “parecidos” nas duas músicas, como a batida e a mistura de violões e guitarras, por exemplo.

Se ainda acha coincidência, ouça estes dois trechos das mesmas canções.

Os próximos vídeos são os clipes completos das músicas Coming Up, de Paul McCartney e Mandrake e os Cubanos, do Skank.

Essa música foi lançada em 1980 no álbum McCartney II. Nela,  todos os instrumentos foram tocados por Paul McCartney e os back vocals foram divididos com Linda McCartney, sua esposa e companheira musical. No clipe, Paul também toca todos os instrumentos com ajuda da tecnologia incrível de edição cinematográfica que estava disponível na época. Ele interpreta diversos personagens, alguns reais, outros não. Linda também aparece no papel de duas pessoas.

Uma coisa bem marcante dessa música é a batida da guitarra, meio funk, meio circo, bem pra cima, como o título da música e todo o clima do videoclipe.

O próximo vídeo eu não vou falar nada. Só veja (e ouça).

Isso, definitivamente, prova uma coisa: Skank é uma banda de ladrões que deveriam estar presos.

Ou não.

Uma coisa que  existe não só no mundo da música, mas nas artes de maneira geral, é a licença para usar coisas alheias em obras suas. Chame de influências, paráfrases, homenagem, o que seja. A verdade é que todo artista usa copia, seja de maneira sutil, seja inconscientemente, ou descaradamente, como o Skank faz. Eles simplesmente querem dizer: eu escuto Blur, sou fã de Paul McCartney, gosto de suas músicas e vou homenageá-los.


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